Marta Ferreira

Marta Ferreira

Fazenda Monjolo Queimado


  • Nome da Fazenda

    Fazenda Monjolo Queimado

  • Região

    Sudoeste de Minas

  • Estado

    Minas Gerais

História do produtor

Marta Ferreira: De nota em nota

Da música ao café, Dona Marta apresenta o grão da Fazenda Monjolo Queimado.

Quando fecho os olhos, consigo me lembrar da entrada da Fazenda Monjolo Queimado. Depois de uma estrada de terra, entrei no local e a primeira coisa que me chamou a atenção foram os cachorros – muitos cachorros.

A casa onde a Dona Marta mora com os dois filhos, Guilherme e Juliana, está sempre rodeada de animais. De cachorros vira-lata e gatinhos até border collies com filhotes perfeitos.

Logo o Guilherme disse que, além do café, ele também treina border collies do Brasil inteiro para trabalho rural. Ele tem os seus, mas alguns deles e os gatinhos são da Juliana, que é muito apegada aos animais.

Eu, junto com a Mari da Veroo, chegamos a tempo do café da manhã. As delícias mineiras da Dona Marta estavam sendo preparadas e, enquanto isso, começamos a escutar um pouco da sua história.

Faz 11 anos que a produtora mora na fazenda, que fica no Sudoeste de Minas Gerais, na cidade de Jacuí.

A propriedade era de seu pai, Paulo da Silva Ferreira, e agora pertence a ela e seus irmãos, mas só ela e seus filhos moram e vivem dos cultivos de lá.

Dona Marta teve uma mudança significativa de carreira, ela era professora e dona de escola de música e, por 12 anos, trabalhou em gestão de Cultura.

Seu pai era um apaixonado pela terra, mas dizia que venderia a propriedade, já que nenhum dos cinco filhos se interessava pelo cultivo.

Ela relata que realmente nunca pensou que pudesse se interessar pelo café, mas, depois de 12 anos na Cultura, voltou para a casa de seus pais, já que seu apartamento, em Guaxupé, estava alugado na época.

Sua realização profissional sempre foi muito grande na sua área, mas ela estava bem desanimada por causa da situação financeira no seu ramo de atuação.

Em uma conversa com seu pai, ela disse que o ajudaria na fazenda. Ele se mostrou resistente por ela querer trabalhar na roça e ficou em dúvida sobre a proposta.

Decidida, “Enquanto você decide, eu vou começando”, foi a resposta de Marta.

E assim, em julho de 2010, ela começou a dar uma mãozinha a ele na propriedade. Ajudava com a parte administrativa e foi se interessando pelo assunto.

Pai e filha fizeram um combinado de testar a dinâmica por seis meses e, se não desse certo, ela tocaria a vida na área da música de novo.

Passados os seis meses, nenhum dos dois tocou no assunto e ela seguiu na fazenda com ele, ajudando cada vez mais.

Dessa forma, um ano se passou, e ela relembra que foi um período muito gostoso da sua vida. Ela compartilhava e aprendia com o pai todos os dias.

Em junho de 2011, o senhor Paulo adoeceu e, seis meses depois, veio a falecer.

Mesmo com a dificuldade do momento, a produtora assumiu todas as funções da fazenda e seu primeiro desafio foi fazer sua primeira colheita sozinha.

Com o Guilherme ainda na faculdade, ela ficou alguns anos tocando tudo sozinha. Fez um curso de cafeicultura e aprendeu sobre técnicas de cultivo.

Seu coordenador acadêmico era um apaixonado por cafés especiais e ela começou a implementar a diretriz na sua produção.

Segundo ela, foi um divisor de águas, já que tinha os insumos necessários pra seguir aprimorando os cafés e as plantações.

Seu filho terminou a faculdade e foi para lá ajudar no dia a dia.

Hoje eles são apaixonados pelo cultivo do café e frisam que, pra plantar, precisa mesmo de muita paixão e dedicação, já que não é fácil.

No âmbito pessoal, ela se diz muito sortuda, já que se sentiu realizada em todos os caminhos que seguiu.

Mas o café deu a ela uma sensação de pertencimento e “aterramento”, já que precisou pôr o pé no chão e se adequar à rotina e tempo da natureza.

Agora só trabalham com café especial e fizeram diversas melhorias para continuarem aprimorando seus grãos a cada colheita.

Ela e a família lançaram a própria marca de café especial, o Café Monjolo Queimado, e seguem firmes e fortes para aprimorar cada vez mais seus grãos.

As vendas e comunicação ficam com a Juliana, que está morando também na propriedade e introduzindo os cafés no mercado.

Dona Marta é um exemplo de persistência, já que abriu mão da produção do café comum para focar só no especial. Ela diz que seguirá lutando para que mais e mais pessoas conheçam o café especial, já que é ele que todos deveriam tomar.

Espero que aproveitem muito esse cafezão de 83 pontos e se encantem com essa história assim como eu.